ORIENTADOR LITERÁRIO
SE AFOGAR COMPLETAMENTE
UMA LÁGRIMA SÓ NÃO BASTA
Por todos os amores perdidos
Por
todos os sonhos abandonados
Por
todas as manhãs desperdiçadas
Por
todas as noites mal dormidas
Por
todos os risos que não demos
Por
toda essa saudade que me mata
Por
todo esse deserto que me resta
Por
toda essa gente que faz falta
Porque nunca mais é muito tempo,
E uma lágrima só não basta.
- Edmir Saint-Clair
DESTINO MENINO.
Todo minuto é momento
Um invento, um sentido,
Por fora, por dentro,
É cada segundo, sem tempo,
É quase nada no vento
A vida são horas correndo
e se existe ou não um destino,
Ele é só um menino
que não sabe onde ir
A verdade é que nada se sabe,
Se é do errado que se chega ao certo,
Se é para frente, para trás ou para os lados,
Porque não tem lado certo, nem errado
Não tem nem em cima,
nem embaixo
E os minutos continuam correndo,
E a gente sempre mais lentos,
Sem saber para que andar
Já que é o tempo que nos carrega
Até onde quiser nos levar
A mim, que me leve
em qualquer pé de vento
Para um tempo que seja de amar.
– Edmir Saint-Clair
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ONDE TUDO SE ENCONTRA
Andei por muitos lugares, por perto, por longe
e nas metades de caminhos,
Me detive onde havia música, onde havia olhares,
paisagens e carinhos,
Também perdi muito tempo onde não deveria parar,
Onde os sorrisos não cabem não nos devemos demorar,
Encontrei muitos oásis, muitas pousadas amigas,
Também encontrei intrigas onde não deveria encontrar,
Em todas as praças encontrei crianças, encontrei amizades, encontrei esperanças,
Pelos silêncios do mundo busquei por respostas,
busquei por motivos, busquei por razões
que nunca encontrei.
Vi que os lugares são muito diversos,
separados por distâncias infindas,
Todas mais lindas do que onde eu deveria estar,
Descobri o lugar onde tudo existe no mesmo momento
e fazendo todo sentido,
Revelando os amigos, os amores e os sorrisos,
E, por fim, descobri que o final de todas as estradas
onde andei
Se encontram em mim.
Edmir Saint-Clair
UM MINUTO
De
silêncio, de paixão, de prazer. O minuto anterior ao gozo, o gozo, um minuto de
êxtase, de felicidade, sem saber onde termina meu corpo e começa o seu. O olhar
que muda a vida em um minuto. O minuto feito de sessenta eternidades, mas a
eternidade terá sempre o último minuto. Cabe-nos viver intensamente todas as
nossas eternidades. Tudo que torna a vida maravilhosa não dura mais que um
minuto. Mas a dor é longa, e consome quase todos os nossos minutos. O presente
é sempre o minuto seguinte, mas só percebemos depois, não sabemos ser eternos.
Mas haverá sempre o minuto seguinte.
O
minuto de paz nos teus olhos, no silêncio da noite, no sorriso que brotou
espontâneo. O minuto feito de sessenta eternidades. A eternidade antes do
primeiro beijo, antes de desvendar teu corpo, antes de poder dizer que te amo,
antes de sentir teu amor.
A
eternidade depois do último beijo, depois de me acostumar com teu corpo, depois
de descobrir que ainda te amo, depois de sentir tua ausência. A eternidade de
chorar sozinho, o vazio profundo após a última lágrima.
O
último minuto com você, e o desejo desesperado de retornar ao primeiro.
Passamos a vida inteira atrás desses minutos, dessas sessenta eternidades, que
farão o resto valer a pena. Mas, só percebemos o valor do primeiro quando
chegamos ao último, e então já haverão se passado muitas eternidades.
O
último minuto em que nos amamos foi feito de sessenta despedidas, todas sem que
soubéssemos. E a dor, com o poder que só a dor tem, multiplicou sessenta por
sessenta por sessenta eternidades, e ainda estou a espera do último.
Em
que minuto te perdi?
- Edmir Saint-Clair
ALÉM DA CIÊNCIA
Envolver, envolver-se, ser envolvido,
Misturar-se, fazer parte, somar-se, dividir-se,
Nada mais abstrato que romper os limites do ser
Impossível dirá a ciência,
Mas não a sapiência que isso pode envolver
E nos envolver por vontade nossa de envolver-se
Nos mais abstratos mistérios do ser
Para ser fantástico tem que ser abstrato,
O mundano é banal demais,
Para a importância que a vida tem,
Tem que ter sapiência para se tornar mistério,
Por isso, me envolvo, envolvo e sou envolvido,
E me diluo em tudo.
Além da ciência,
Sou tudo e nada ao mesmo tempo.
Até o que não sei.
AMANTES
O toque acendeu o sol,
Dois sóis,
Quentes, atraentes, penetrantes,
Somando-se num calor ardente, pendente, arfante
Pele, seda, almas sussurrantes,
Atraindo-se, exalando seus perfumes provocantes,
Fêmea nua, natureza dominante
A carne quente, úmida, envolvente,
Sugando, atraindo, desejando urgente,
Acordando o desejo de se completar inteira,
Em cada poro, em cada arfar, em cada instante
Teu ar, meu ar, arfantes,
dentro, fora,
Inebriantes,
Somos insanos, alucinados, delirantes,
Cabendo juntos no mesmo universo latejante,
Somos a vida, somos amor, somos amantes.
Edmir Saint-Clair
FERA
Que
acalenta, com sons , cores e frutos
O
futuro que é da vida, não nos pertence.
Matar
a mãe, cuspir no prato que o alimenta,
Suicidar-se,
matar o futuro que é do filho,
Da
beleza, do sonho, de todos que ainda virão.
A
ganância, grande herança do nada,
Nos
torna cegos, sem ver belezas
E
rezamos, pagãos hipócritas,
Carrascos
do ventre que nos gerou.
E
perdidos os homens, tão sem caminho,
Se
matam, matando tudo, seu próprio ninho.
Natureza
que cria, que cura, que chora,
Pelo filho que lhe devora as entranhas.
- Edmir Saint-Clair
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A ARTE DO TEMPO
Sempre estivemos presos, sempre cada um em si
Faz
parte da história da humanidade
Presos
às imagens, rótulos, marcas da futilidade
Da
vida baldia que foge de si
Da
inutilidade que não faz sentido, do que não tem alma...
Aconchego
real são os outros, são os abraços trocados
São os toques, são os risos, são os cheiros,
É
o calor de janeiro bronzeado para sempre na pele
São
muitas coisas ao mesmo tempo
Multiplicando o tempo em arte
Que
é tudo que nos resta fazer
Porque
o resto é o nada mais
O nada,
A única coisa na qual nos transformaremos
É
isso que os anos nos jogam de volta no rosto
Enrugados e marcados
Pelos dedos dos tapas que nunca mais saíram
Entranharam, esculpindo sulcos na dura face
E expondo
a fina arte que só o tempo é capaz inventar.
– Edmir Saint-Clair
O NOME DO AMOR - Poesia
O amor nunca se chama amor
Sempre tem nome,
Sempre
tem cheiro,
Sempre tem gosto,
Sejam quantos forem,
De que tipo sejam,
Cada um tem seu nome próprio,
E
único,
Tem seu próprio jeito
E nunca lhe falta um sentido,
Mesmo não podendo ser visto,
Apesar dos vários rostos,
Várias vozes,
Vários leitos,
O amor é o que resgata, é o
que afoga,
É
o que pulsa,
E é o único que expulsa toda dor que carregamos.
O teu amor é o que me salva
de mim mesmo,
E o que te nasce no meu peito.
- Edmir StClair
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